4 de out de 2012

Fusca dá o troco no Camaro Amarelo



O troco musical é prática recorrente entre compositores. A resposta nem chega a peitar a canção já conhecida. Mas sempre se escora em um leve tom de brincadeira ou provocação para levar adiante o tema jogado no ouvido da plateia. Entre emboladores, o mote serve de guia para envolver os dois lados do improviso. Os rappers também duelam em torno do poder da palavra ritmada.

No universo das baladas, a composição mais nova tenta desbancar a antiga para mudar o conceito em torno do assunto. Sirano e Sirino, reis do forró nas vaquejadas nordestinas, tacaram um “Amor de rapariga é que é amor” para tirar de tempo a música “Amor de rapariga”, propalada pelo som suave do brega debochado. Deu certo. A letra brinca com as críticas da composição anterior e joga lenha na fogueira da discussão entre mulher e amante.

A mais nova sensação da saudável guerra musical vem do sertanejo. E envolve a famigerada Camaro Amarelo, de Munhoz e Mariano. A canção virou hit país afora depois de colocar o modelo de luxo - capaz de fazer 100 quilômetros em cinco segundos, vale frisar - no centro das atenções quando o assunto é conquistar mulheres na balada. Ela critica o interesse financeiro presente na paquera ao mostrar a mudança de comportamento em função da troca de uma moto por um modelo do tipo. “Agora, fiquei doce”, ironiza a letra. E lá se vão 24 milhões de acessos no YouTube.

Na esteira do suposto interesse, a dupla Marcos e Mancini colocou na rede novo hit. E menosprezou o Camaro. No jogo da conquista, entrou o Fusca (vídeo acima). Ele mesmo, o caricato personagem da indústria automobilística brasileira. O refrão “De Camaro, ela não vai. Só quer pegar carona no fusquinha do papai” dá um banho de água fria em quem ainda aposta no automóvel de luxo para atrair a mulherada. Debocha dos marmanjos interessados no culto aos próprios carrões em vez do apreço pelas garotas. E reveste de - para ficar em dia com o vocabulário “cabeça” - vintage a redescoberta do fusquinha. Afinal, a moda sempre volta no tempo. Nem que seja para dar o troco musical. De carona no Camaro ou no fusquinha.
 



Fonte: www.diariodepernambuco.com.br/

Nenhum comentário:

Postar um comentário